Vendas online das farmácias crescem 48,7% e aquecem o e-commerce de saúde e bem-estar

O e-commerce de saúde e bem-estar passou a ter a farmácia como vitrine principal. As vendas online das redes associadas à Abrafarma cresceram 48,7%, de R$ 13,16 bilhões para R$ 19,56 bilhões. O canal digital já responde por 17% do faturamento dessas empresas.

Para quem compra vitamina ou suplemento pela internet, a mudança tem efeito prático. Existem mais lugares para comprar o mesmo produto, com prazos e condições diferentes. A pergunta que a vitrine raramente responde é o que acontece com o item entre o clique e a porta de casa.

O que este artigo aborda:

O que mudou no jeito de comprar saúde e bem-estar pela internet

A farmácia deixou de ser só balcão e virou loja digital com sortimento amplo de itens de bem-estar.

O salto de R$ 13,16 bilhões para R$ 19,56 bilhões em vendas online mostra um canal que mudou de escala. A alta de 48,7% aparece no levantamento da Abrafarma sobre as vendas digitais das farmácias, publicado pelo Diário do Comércio. Com o e-commerce em 17% do faturamento, o digital virou parte estrutural da receita das redes.

As redes associadas movimentaram R$ 114,87 bilhões em 12 meses, considerando lojas físicas e digitais. Esse faturamento das redes de farmácia dimensiona o mercado do qual a fatia online começou a crescer mais rápido.

A leitura desses números aponta uma mudança de papel.

O aplicativo da rede deixou de ser um catálogo de apoio e passou a concorrer com a loja da esquina e com o site da marca.

Para o consumidor, isso significa que a farmácia agora disputa a compra de vitamina no mesmo terreno do marketplace.

Indicador do canal farmacêuticoResultado em doze meses
Vendas online das redes associadasR$ 19,56 bilhões, alta de 48,7%
Participação do e-commerce no faturamento17%
Categoria de não medicamentosR$ 35,78 bilhões, alta de 10,13%
Faturamento agregado das redesR$ 114,87 bilhões

Dados da Abrafarma compilados pela imprensa setorial.

Por que suplementos e vitaminas puxam a venda online

A categoria de não medicamentos é o que mais cresce no e-commerce de saúde e bem-estar.

Esse grupo movimentou R$ 35,78 bilhões em doze meses, com alta de 10,13% no levantamento da Abrafarma. Dentro dele estão suplementos, vitaminas, dermocosméticos e itens de higiene e conveniência. São produtos de recompra previsível, que o consumidor já conhece e compra sem precisar de orientação no balcão.

A venda online de produtos de saúde encontra menos barreiras nessa categoria. Suplementos e vitaminas são regulados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária como alimentos, com rotulagem própria. A classificação simplifica a exposição em site próprio, marketplace e aplicativo da rede.

O comportamento de compra ajuda a explicar o resto. Quem toma um suplemento de uso contínuo repõe o mesmo item a cada 30 ou 60 dias, sem pesquisa nova. Essa recompra programada favorece o canal digital, que lembra a data e entrega sem deslocamento.

A prateleira digital também cabe mais do que a física. Uma rede consegue ofertar dezenas de sabores, formatos e dosagens que jamais ocupariam a gôndola de uma unidade de rua.

O que o consumidor ganha quando o mesmo produto está em vários canais

Ter o mesmo suplemento em farmácia, marketplace e site da marca amplia a escolha no e-commerce de saúde e bem-estar.

O preço deixa de ser o único fator quando o prazo de entrega varia entre os canais. Um mesmo item pode chegar no dia seguinte por um caminho e em uma semana por outro. A diferença nasce de onde o estoque está e de quem separa o pedido.

A multiplicidade de canais também traz risco de inconsistência. Lote, validade e condição de armazenamento podem variar conforme quem guarda e despacha o produto. Para suplementos, que são sensíveis a calor e umidade, esse detalhe pesa mais do que na compra de um eletrônico.

Há um ganho concreto e um cuidado novo. O ganho é a comparação imediata entre canais, com preço e prazo lado a lado na tela. O cuidado é que a mesma marca pode ser operada por estruturas logísticas distintas em cada canal.

O que acontece entre o clique e a entrega do suplemento

Entre a confirmação do pedido e a chegada do produto existe uma operação que o consumidor não vê.

Essa etapa se chama fulfillment e reúne armazenamento, separação, embalagem e expedição. É ela que define se o prazo prometido na tela se confirma na porta de casa. No e-commerce de saúde e bem-estar, ela também responde pela integridade do produto que chega.

Matheus Anselmo é fundador e CEO da LOG18K fulfillment, empresa brasileira especializada em suplementos e nutracêuticos, que opera armazenamento, separação e expedição de pedidos de marcas que vendem pela internet.

Para o executivo, o avanço da farmácia no digital muda o que está em disputa entre as marcas.

“Quando a farmácia passa a vender suplemento pelo aplicativo, a disputa deixa de ser só de preço e passa a ser de operação. A marca que vende direto precisa entregar com a mesma previsibilidade, porque cada pedido carrega a confiança do consumidor e a reputação de quem vende.”

Anselmo afirma que a escala da operação ensina a tratar a entrega como parte do produto.

“A gente movimenta mais de 60 mil produtos por mês em suplementos e nutracêuticos, e isso ensina uma coisa. Logística não é o fim da venda, é parte do produto. Quem trata a entrega como custo perde para quem trata como diferencial.”

A operação explica por que dois canais vendem o mesmo suplemento com experiências diferentes. Um pote guardado em galpão climatizado e separado por quem conhece a categoria chega em condição distinta de outro despachado em estrutura improvisada.

Vale registrar o limite dessa leitura. Operação bem feita reduz atraso e avaria, mas não corrige preço fora de mercado nem produto de qualidade duvidosa.

O que observar antes de comprar suplemento pela internet

Alguns sinais ajudam a distinguir uma loja que domina a própria operação de outra que improvisa.

O prazo informado antes do pagamento, ainda na página do produto, é o primeiro deles. Lojas com operação estruturada mostram data estimada e origem do envio. No e-commerce de saúde e bem-estar, essa transparência vale tanto quanto o preço anunciado.

  • Prazo e origem do envio: lojas que informam data estimada e local de saída do pedido costumam ter operação própria ou parceiro especializado.
  • Rotulagem e registro: suplementos regulados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária trazem lote e validade legíveis no rótulo.
  • Condição de armazenamento: embalagem lacrada e proteção contra calor indicam cuidado na separação do pedido.
  • Política de troca: o Código de Defesa do Consumidor assegura 7 dias para desistir de compra feita fora da loja física.
  • Comparação entre canais: o mesmo item no site do fabricante e no aplicativo da farmácia pode ter apresentação, gramatura e prazo distintos.

A farmácia digital ampliou a oferta de vitamina e suplemento sem tornar a escolha mais simples. O que separa uma compra tranquila de uma frustrante costuma ser decidido na operação, antes de o produto aparecer na vitrine.

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